Jesus, a alegria dos homens

Ricardo Gondim
Conta-se que um jovem ameaçava suicidar no parapeito de uma ponte.

Um policial recebeu a incumbência de dissuadi-lo do gesto tresloucado. Vagarosamente subiu até onde ele estava e arrastou-se em sua direção. Ainda fora do alcance de seus braços, iniciou o diálogo: “Jovem, a vida é bela, vale a pena viver”. O rapaz continuava resoluto a matar-se. O policial então tentou outra tática: “Eu lhe darei 10 razões pelas quais você não deve suicidar e depois permitirei que você me diga por que deseja morrer”. Minutos depois os dois se jogaram da ponte.

Essa história tragicômica reflete a nossa angústia existencial: queremos ser felizes. Pascal afirmava: “Todos os homens buscam ser felizes, até aqueles que vão enforcar-se”. O desespero de ser feliz é tão grande que estamos nos destruindo. Confesso que minha postura quanto à felicidade era um tanto estóica. Cria que a felicidade deveria ser subpriorizada diante do dever. Eu nunca ouvira falar em hedonismo cristão. Certo dia, ao lado de Russell Shedd numa longa viagem entre Fortaleza e São Paulo, ele me perguntou se eu já lera os escritos de John Pipper, teólogo reformado com doutorado no Wheaton College, no Fuller Seminary e na Universidade de Munique. Segundo Shedd, esse teólogo trabalhava com alguns conceitos interessantes sobre a felicidade e sobre como a mensagem de Cristo continha elementos hedonistas. Interessei-me pelo seu livro Desiring God (Desejando Deus) e de pronto o comprei. Pela enésima vez vi que precisava reelaborar minha teologia.

John Pipper inicia seu livro construindo a filosofia do hedonismo cristão em cinco pressupostos:

1) O desejo de ser feliz é uma experiência humana universal. Esse desejo é bom e não pecaminoso;
2) Nunca devemos negar nem resistir ao nosso desejo de ser felizes. Devemos, pelo contrário, intensificá-lo, buscando aquilo que possa produzir maior satisfação;
3) Só encontramos a felicidade verdadeira e permanente em Deus;
4) A felicidade que encontramos em Deus é plenificada quando compartilhada com outros em amor;
5) À medida que tentamos abandonar nossa busca de prazer e felicidade, desonramos a Deus e fracassamos em amar as pessoas.

Sei que, a esta altura, algum leitor deve estar estranhando que eu, um dos maiores opositores da teologia da prosperidade, esteja defendendo uma teologia aparentemente tão heterodoxa e tão próxima desse cristianismo utilitário que se pratica nos dia de hoje.

Estou consciente de que preciso acalmar alguns preconceitos antes de perder a força da argumentação.

Primeiro, essa teologia não é tão nova como se pensa. Jonathan Edwards, o pregador reformado do início do século XVIII, cria que a razão de nossa existência é glorificar a Deus à medida que nos deliciamos nele. Só glorificamos a Deus se formos realmente felizes.

Segundo, o hedonismo cristão não propõe que Deus seja um meio de alcançarmos prazer mundanos. O prazeres do cristão hedonista emana do próprio Deus. Ele é o fim de toda busca, e não um meio de alcançar outro prazer além dele próprio. Para o cristão hedonista, Deus é o gozo último e incomparável, a alegria infinitamente maior que a de andar em ruas de ouro ou de rever entes queridos. O verdadeiro hedonismo cristão não reduz Deus a uma chave que abre os baús de ouro e de prata. Ele busca transformar o coração para que possamos afirmar: “Para mim mais vale a lei que procede de tua boca, do que milhares de ouro ou de prata” (Sl 119.72).

Terceiro, o hedonismo cristão não é materialista nem mundano. Ele não faz do prazer um deus, mas afirma que nosso Deus estará sempre onde encontrarmos maior prazer. Jeová só será o meu Deus se eu encontrar nele a minha felicidade. O verdadeiro cristianismo não evita o prazer nem o gozo, mas busca-os em uma fonte diferente da do homem secularizado.

O Deus da Bíblia é feliz. Ele se delicia em si mesmo, na sua criação e em seus propósitos. Deus desfruta de infinita felicidade. “O Senhor Deus está no meio de ti, poderoso para salvar-te; Ele se deleitará em ti com alegria; renovar-te-á no seu amor, regozijar-se-á em ti com júbilo” (Sf 3.17). Conforme o livro de Jó, a obra criadora de Deus foi feita com acompanhamento musical. “Onde estavas tu quando eu lançava os fundamentos da terra? (….) quando as estrelas da alva juntas alegremente cantavam e rejubilavam todos os filhos de Deus?” (Jó 38.4 e 7). O Senhor é consciente de seu caráter perfeito e de sua comunhão eterna na trindade. Pai, Filho e Espírito Santo desfrutam de tamanha felicidade, que fomos criados primordialmente para sermos participantes desta alegria. O anelo do salmista soa como mandamento: “Agrada-te do Senhor (….)” (Sl 37.4). O maior dano que o pecado causou não foi jurídico – ter quebrado uma lei escrita -, mas relacional. Ele danificou nossa capacidade de partilhar da felicidade divina. Na relação trinitariana, Deus experimenta uma felicidade suprema, tão perfeita, tão verdadeira, que Jesus clamou na oração sacerdotal: “E agora, glorifica-me, ó Pai, contigo mesmo, com a glória que eu tive junto de ti, antes que houvesse mundo” (Jo 17.5).

Jesus contou uma parábola que expressa bem o espírito do hedonismo cristão: “O reino dos céus é semelhante a um tesouro oculto no campo, o qual certo homem, tendo-o achado, escondeu. E, transbordante de alegria, vai, vende tudo o que tem, e compra aquele campo” (Mt 13.44). Alguém descobre um tesouro e, impelido pela alegria, sai vendendo tudo o que tem para se tornar seu proprietário. A mensagem dessa parábola não nos induz a pensar que o reino de Deus é imobiliário, ela implica um relacionamento com o Rei. O tesouro aqui é intimidade com o Deus trino. “Porque o reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, e paz, e alegria no Espírito Santo” (Rm 14.17).

Millôr Fernandes afirmou sarcasticamente: “Sinto a sensação cada vez mais inconfortável de ser feliz num mundo em que isso está completamente fora de moda”. O mundo busca freneticamente a felicidade, mas acham-se cada vez menos pessoas felizes. Pelo número de antidistônicos vendidos nas farmácias, o que é uma tentativa de baixar o nível de stress e ansiedade da vida, percebe-se que a felicidade não está sendo encontrada. A convivência do dia a dia deixa claro que as igrejas, as universidades e os lares estão cheios de gente infeliz. Por quê? A resposta é simples. Não estamos buscando a felicidade na fonte certa.

Pipper fez uma afirmação ousada em seu livro: “O hedonismo secular busca a felicidade, mas não a busca com todas as forças”. Se o fizesse, satisfaria-se em Deus. Na verdade, essa geração garimpa felicidade em minas inviáveis e encontra cascalho. Cava poços para saciar sua sede e bebe águas podres. No afã de ser feliz, acaba ainda mais infeliz. O Padre Antônio Vieira questionou o porquê dessa irracionalidade: “Ora, veja cada um de nós o preço por que se vende, e daí julgará o que é. Prezais muito, e estimai-vos muito, desvaneceis-vos muito: quereis saber o que sois por vossa mesma avaliação? Vede o preço por que vos dais, vede os vossos pecados. Dai-vos por um respeito, dai-vos por um interesse, dai-vos por um apetite, por um pensamento, por um aceno: muito pouco é o que por tão pouco se dá. Se nos vendemos por tão pouco, como nos prezamos tanto? Filhos de Adão enfim. Quem visse a Adão no Paraíso com tantas presunções de divino, mal cuidaria que em todo o mundo pudesse haver preço por que se houvesse de dar. E que sucedeu? Deu-se ele, e deu a todos os seus filhos por um fruto. Se nos vendemos tão baratos, por que nos avaliamos tão caros?”

Deus estima a felicidade de sua criação ao ponto de dar o seu próprio filho para resgatá-la a si mesmo. As parábolas de Lucas 15 descrevem o drama eterno diante da infelicidade humana. Certo homem possui 100 ovelhas, mas diante do sofrimento de apenas uma, faz tudo para resgatá-la de volta ao aprisco. O júbilo de tê-la de volta é imenso. Uma mulher perde uma moeda, mas não descansa enquanto não a encontra. Quando a tem consigo, chama suas amigas para celebrarem juntas. Jesus culmina contando a parábola de um homem que tem dois filhos, dos quais um o abandona, querendo ser feliz. Nessa busca da felicidade ele acaba miserável, angustiado e nu. Ao voltar para casa, arrependido e disposto a se contentar com a simples companhia do pai, gera grande celebração. Jesus veio ao mundo para nos lembrar que Deus Pai é feliz e articulou um plano eterno para resgatar seus filhos da miséria em que se encontram. Ele estava disposto a pagar qualquer preço, para que fôssemos participantes da glória divina: “(….) Jesus, o qual em troca da alegria que lhe estava proposta, suportou a cruz (….)” (Hb 12.2).

Depois de ler o livro de John Pipper, estou convencido de que todos nasceram para ser felizes. Sobretudo, estou consciente de que as pessoas encontrarão essa felicidade somente em Deus. Sei que fama, fortuna e respeitabilidade humana não produzem a felicidade que completa homens e mulheres. Somente partilhando da felicidade do Deus trino se alcança a autêntica alegria. Jesus prometeu à mulher samaritana: “Quem beber desta água tornará a ter sede; aquele, porém, que beber da água que eu lhe der, nunca mais terá sede, para sempre; pelo contrário, a água que eu lhe der será nele uma fonte a jorrar para a vida eterna” (Jo 4.13-14).

Como aquela mulher, devemos pedir: “Senhor, dá-me dessa água”.

Pastor Ricardo Gondim

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A CAMISA DA ALEGRIA


Era uma vez um rei que, apesar de ser muito rico, era triste, pois não conseguia aumentar o seu tesouro.

Ele estava sempre de mal humor e isto causava enormes problemas a todos, pois seus decretos, rudes e injustos, massacravam o povo com exigências descabidas.

Por fim, o rei acabou entrando em depressão. Seus médicos lhe disseram que a única cura para a sua doença era a alegria. O monarca, então, ofereceu um excelente prêmio a quem pudesse lhe trazer a alegria de volta.

Muitos tentaram, mas ninguém conseguiu arrancar um só sorriso da cara do rei. Nada conseguia alegrá-lo. Nem os músicos, nem o bobo da corte, nem as dançarinas, nem os lançadores de enigmas, nem os mímicos, nem os encantadores.

Os amigos do rei resolveram consultar um grande sábio que vivia ali. Ele lhes disse que se o rei vestisse a camisa do homem mais feliz daquele reino, a alegria voltaria ao seu coração.

Iniciou-se, então, uma intensa investigação, para se descobrir quem era o homem mais feliz de todos.

Para surpresa dos investigadores, o homem mais feliz daquele reino morava longe do luxuoso palácio do rei, num casebre muito simples. Ele, sua mulher e seus filhos trabalhavam de sol a sol no cabo da enxada para conseguir se manter, mas, sempre unidos, passavam o dia rindo e cantando.

Os investigadores contaram-lhe o problema que os havia trazido ali e pediram-lhe que ele lhes desse uma de suas camisas, para que a alegria pudesse voltar ao coração do rei. Só então compreenderam porque aquele homem trabalhava na lavoura de peito nú, ele não tinha nenhuma camisa.

Um dos investigadores, espantado, perguntou-lhes como conseguiam ser tão felizes tendo tão pouco, ao contrário do rei, que tinha tanto, mas era infeliz: Somos felizes porque o reino de Deus está em nossos corações, respondeu-lhe o homem.

“O reino de Deus não consiste
no comer e no beber,
mas na justiça, na paz,
e na alegria no Espírito Santo.”
Romanos 14.17

Propaganda estimula jovens a beber, diz estudo

Praias e festas com gente bonita e alegre bebendo são comuns em anúncios publicitários de cervejas.
Essas cenas atraem os adolescentes e estão diretamente associadas ao consumo da bebida alcoólica por jovens entre 11 e 16 anos, que não teriam idade para ingerir esse tipo de produto. É o que mostra um estudo da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) que acaba de ser publicado pelo periódico científico Revista de Saúde Pública.

A pesquisa também revelou que os jovens prestam muita atenção aos anúncios. E dizem acreditar que as propagandas retratam apenas a verdade. Isso, segundo os pesquisadores, tem relação com o consumo precoce do álcool.

Vice-presidente da Associação Brasileira de Anunciantes (ABA), instituição que representa AmBev e Schincariol, entre outras indústrias, Rafael Sampaio contesta a pesquisa, mas admite que os fabricantes sabem que a publicidade tem influência sobre o consumo de cerveja por adolescentes.

No estudo, 1.115 estudantes de 11 a 16 anos, dos sétimo e oitavo anos do ensino fundamental de três escolas de São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo, responderam a um questionário com mais de 100 variáveis ligadas à ingestão de álcool – sendo o método por variáveis uma forma de investigação científica descrita na literatura médica.

Fonte: Agência Estado

C S Lewis – Do ateísmo ao teísmo

Ilustração | Como tentar os homens

Há uma fábula que fala sobre três demônios aprendizes vindo à terra para terminar sua aprendizagem. Eles falavam com Satanás, maioral dos demônios, sobre seus planos para tentar e arruinar os homens.

O primeiro falou, “Eu lhes direi que não há um Deus”. Satanás disse, “Isso não vai enganar muitos, pois eles sabem que há um Deus”.

O segundo disse, “Eu lhes direi que não há um inferno”. Satanás respondeu, “Você não enganará ninguém dessa forma; homens já sabem que há um inferno para pecado”.

O terceiro disse, “Eu direi aos homens que não tem pressa”. “Vá”, disse Satanás, “e você os arruinará pelos milhares”. A mais perigosa de todas as ilusões é a de que há tempo de sobra. O dia mais perigoso na vida de um homem é quando ele aprende a palavra ‘amanhã’. Há coisas que não podemos adiar, pois nenhum homem sabe se, para ele, o amanhã virá.

William Barclay – The Gospel of Matthew

Leia Tiago 4.13-17

Ed René Kivitz – TALMIDIM 135: Sexo

Programa Metanoia

Sexo | Lu&Tero com Marcos Botelho

Por que não falar sobre sexo?!

Problemas do sexo precoce

Sexo cada vez mais cedo

Vídeo erótico com crianças veiculado na internet provoca escândalo e alerta para os riscos da sexualidade precoce

 Fonte: Revista IstoÉ

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A pequena cidade gaúcha de Ibirubá é um daqueles lugares onde o tempo parece passar mais devagar. Lá todas as famílias se conhecem, as pessoas se cumprimentam pelo nome e a população pode circular à vontade pelas ruas, com praças arborizadas e casas coloridas que ajudam a compor um cenário bucólico. Tamanha placidez foi abalada há três semanas, quando explodiu na internet um vídeo de sexo explícito cujos protagonistas eram moradores da cidade: A., um garoto de 14 anos, e K., uma menina de 11. Durante as férias escolares, numa tar de quente de fevereiro, o adolescente se reuniu com três companheiros da mesma idade para jogar videogame na casa de um deles. Não havia adultos no local, os pais do menino estavam trabalhando. Minutos depois, a menina K. ligou para um dos garotos, perguntando se poderia encontrá- los. Chegando lá, o casal foi para o quarto e chamou um dos amigos para filmar a “brincadeira” com o celular. Dias depois, o vídeo de 12 minutos vazava na internet e a inconsequência do gesto passou a ser de domínio público. A história que abalou o município de 19 mil habitantes choca pela tenra idade dos envolvidos e pelo conhecimento deles sobre um ato que requer maturidade física e psicológica para ser realizado com prazer e segurança. E ecoa no País como um alerta para a urgência de a sociedade refletir sobre o acesso das crianças a informações que estimulam a sexualidade precoce. O caso de Ibirubá tomou grandes proporções porque o vídeo foi parar na internet. Mas não é uma situação isolada. De acordo com dados do Ministério da Saúde, de 1996 a 2006 o percentual de garotas que perderam a virgindade até os 15 anos saltou de 11% para 33%. Nesta mesma faixa, 47% dos meninos já tiveram sua iniciação. “A erotização está começando cada vez mais cedo e de forma intensa”, afirma a psicopedagoga Qué zia Bombonatto, de São Paulo. “A fase de experimentação começa mais cedo e tudo é permitido.”

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SOFRIMENTO após divulgação do vídeo, a família da menina K. abandonou a casa onde morava

“A gente dessa terra esquece que todo mundo tem telhado de vidro”

D., pai do menino C., 13 anos, que filmou com o celular as cenas de sexo entre os amigos

Essa vontade de experimentar, aliada à irresponsabilidade inerente a esta faixa etária, mudou de forma devastadora a vida dos garotos envolvidos no caso. “A história tomou uma dimensão tão grande que a família da menina, por pressão, teve que ir embora”, contou a conselheira tutelar Salete Spengler, que acompanha o caso. Logo depois da veiculação do vídeo, eles começaram a receber bilhetes por baixo da porta com insultos. Até pedras foram arremessadas em direção a sua casa.

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“Os pais precisam dedicar mais tempo para entender seus filhos”
Salete Spengler, conselheira tutelar de Ibirubá

No dia 17 de março, se mudaram para outra cidade. Nem mesmo o conselho tutelar sabe dizer o local. Apenas que a garota teve os cabelos cortados e trocou de nome para não ser reconhecida. Já os meninos que participaram da filmagem são apontados na rua e excluídos do grupo de amigos – por orientação dos pais das outras crianças. O constrangimento é geral na cidade. “A gurizada que se meteu no ocorrido está andando de cabeça baixa”, disse a estudante Jéssica Klaessner, 18 anos.

A reportagem de ISTOÉ esteve na quinta-feira 26 nas casas de dois deles. Na do menino A., que aparece fazendo sexo no vídeo, os pais mal tiravam os olhos do chão. “É uma vergonha”, disse o pai. “Só peço que esqueçam”, completou a mãe. Enquanto isso, com um semblante preocupado, A. espiava por uma fresta na porta do quarto. “A gente desta terra esquece que todo mundo tem telhado de vidro”, afirmou, irritado, o pai do garoto C., que registrou o vídeo com seu celular. Segundo o menino, ele e os amigos não tinham a intenção de divulgar o filme. “Só passamos para dois colegas que não estavam com a gente na casa.

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Não colocamos na internet.” Segundo a delegada da cidade, Diná Aroldi, ainda não se sabe se o vídeo foi postado na rede por um adulto. “O sigilo do provedor foi quebrado e apreendemos os celulares de todos os envolvidos”, afirma.

Especialistas são unânimes: na esteira do contato prematuro com o sexo vem uma série de problemas. Entre eles, não ter prazer (e se cobrar por isso), associar o sexo a algo errado e ruim, a gravidez indesejada, doenças sexualmente transmissíveis e dificuldades de relacionamento. A situação causa até impactos fisiológicos, acelerando a ebulição hormonal. A primeira menstruação das meninas, por exemplo, cai cerca de seis meses a cada geração. Hoje está em 12 anos, segundo o Ministério da Saúde. K., a garota de Ibirubá, por exemplo, tem 11 anos, mas corpo de uma moça de 15. “Uma vida sexual saudável abaixo dos 14 anos é muito difícil”, explica o ginecologista Gerson Lopes, coordenador da Associação S.a.b.e.r. – Saúde, Amor, Bemestar e Responsabilidade. “Eles não estão preparados e a primeira vez acontece sem privacidade, carinho e prevenção.” É preocupante observar que o “ficar” está incluindo o sexo, afirma o médico. “Os jovens estão virando prisioneiros da própria liberdade, com angústias por não alcançarem o ideal distorcido de sexo que estão aprendendo.” Tanta insegurança os leva a cometer erros mais facilmente, como esquecer de usar o preservativo. No caso das meninas, é comum que procurem o médico apenas três anos depois do início da atividade sexual. Geralmente por suspeita de gravidez.

A estudante carioca M., 17 anos, conheceu o ex-namorado aos 13, num baile. Apaixonou-se e viveu a primeira relação sexual. Ainda com 13 anos, engravidou. Não se casou, teve o filho – hoje com 4 anos – e mora com a mãe. “Sinto falta de poder sair para me divertir”, diz a menina, que perdeu dois anos de escola. Se hoje M. sente o peso da responsabilidade, acreditar que iniciar a vida sexual trará amadurecimento é um equívoco de parte considerável dos adolescentes. Para temor dos pais, Carol Conde, 16 anos, de Mogi das Cruzes, São Paulo, sempre avisou a todos sobre seu desejo de ser mãe cedo. Cumpriu o discurso antes do que planejara. Perdeu a virgindade aos 14 anos e, aos 15, engravidou de Pedro, agora com 1 ano. “Não acho que minha primeira vez foi precoce, me sentia preparada”, afirma. “A gravidez, sim. Reconheço que deveria ter terminado os estudos antes.” Assim que pensou em ter relações sexuais, Carol conversou com a mãe, que a levou ao médico para receber informações sobre gravidez e preservativos.

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“A gurizada que se meteu no ocorrido anda de cabeça baixa”

Jéssica Klaessner, 18 anos, moradora de Ibirubá

Não adiantou. Ela errou na conta do anticoncepcional. Além de sofrerem mais com os problemas, sendo o mais latente a gravidez, as meninas despertam mais cedo para a sexualidade do que os meninos. “Elas estão realmente tomando a dianteira”, diz a psicóloga Clara Freiberg, do Colégio Sion, em São Paulo. “Amadurecem antes e pedem aos garotos para ficar com eles.” A sociedade atual também contribui.

“Existe uma crença de que a mulher sexy e bela se dá bem na vida, tem mais chances de sucesso”, diz a psicopedagoga Maria Irene Maluf. “É um mecanismo que alimenta a sexualidade antes da hora.”

Não é possível apontar um responsável pela sexualidade precoce das novas gerações. Muito menos o caso de eleger culpados. Mas há uma conjunção de fatores que levaram a esse quadro que culminou com histórias como a do sexo quase infantil de Ibirubá. A dificuldade dos pais em impor limites, a falta de orientação sexual eficiente nas escolas e uma cultura de massa extremamente erotizada são fortes estímulos. A internet também é decisiva na hora de facilitar o acesso das crianças a conteúdos proibidos. Na conversa com a conselheira tutelar, a menina K. disse que aprendeu o que aparece fazendo no vídeo em filmes pornôs que assistiu pelo computador.

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“Os gatilhos para o despertar da erotização estão em níveis sem precedentes”, afirma Maria Irene. “A criança absorve tudo o que deseja a qualquer momento.” Os pais têm medo de reprimir e perdem o controle do que os filhos fazem. “Aqueles que têm hoje filhos de 10 anos são da geração da década de 70”, lembra a psicopedagoga Quézia. “Eles tendem a ver as imposições como um problema, não como parte fundamental da educação.”

Os adolescentes percebem essa insegurança e jogam com ela usando argumentos como “os pais dos meus amigos deixam”. Outro equívoco das famílias é incentivar posturas ligadas à vida adulta. “É comum ver mães achando engraçadinho vestir menina de mulher e pais elogiando o menino que tem fama de pegador”, ressalta.

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“Não acho que minha primeira vez foi precoce. Me sentia preparada”

Carol Romero, 16 anos, perdeu a virgindade aos 14

Há ainda uma falha de percepção de muitos pais, que os faz perder as rédeas da situação. A mãe do menino C., que registrou o vídeo, disse que nem sonhava que o filho tivesse algum interesse sobre sexo. “E em casa a gente cuida, não deixa ver determinadas coisas na tevê”, afirmou a dona de casa. “Mas ele pede para ir à casa dos amigos e lá não faço ideia do que está acontecendo.” O padrasto da menina K., a quem chamava de pai, segurança, ficou sabendo do vídeo por um colega de trabalho. “Imagina que é minha filha”, teria dito. A mãe, dona de um movimentado salão de beleza local, chorava junto com a filha (que se dizia arrependida) na delegacia, sem entender como isso teria acontecido. “É importante que os pais lembrem que não basta dar exemplo”, diz a psicopedagoga Maria Irene. “Tem que interferir na educação, conversar.” Proibir também não é a melhor solução. A estudante Nadja Pancelli, 16 anos, de Mogi das Cruzes, namorou escondido por um ano Gabriel, oito anos mais velho, por medo da reprovação dos pais. “Achava que 12 anos não era idade para namorar e proibi os dois de se encontrarem”, lembra a mãe, Regina Oliveira. “Hoje me arrependo de tê-la tratado como criança, e não como uma adolescente que está se descobrindo.” Nadja perdeu a virgindade aos 13 anos, engravidou aos 14 e deu à luz Izadora aos 15.

“Com 12 anos namorava escondido, com medo da reação dos meus pais”

Nadja Pancelli, 16 anos, fez sexo pela primeira vez aos 13

A pouca ou nenhuma orientação ministrada nas escolas também é uma lacuna significativa. Desde 1998, o Ministério da Educação sugere que a educação sexual seja introduzida nas instituições de ensino. Por não ser uma disciplina curricular, algumas acolhem, outras não. Mesmo nos colégios particulares, ela só é mais frequente nos grandes centros. Na escola pública, entra como tema transversal – quando é acrescentada ao contexto de uma disciplina oficial da grade. Não é o caso de jogar a responsabilidade inteiramente para os educadores. “Os valores vêm da família, a escola passa conhecimento”, lembra a conselheira tutelar Salete. Mas é no colégio que a garotada troca informações e até vive experiências como o primeiro beijo. O Bandeirantes, em São Paulo, desenvolveu um programa de educação sexual, iniciado em 1992, reconhecido como um bom exemplo. Alunos a partir de 11 anos frequentam um curso semanal, com turmas divididas por faixa etária. Os temas variam com a idade. Professores foram capacitados para abordar a sexualidade em sala de aula. Os debates incluem assuntos como mudanças no corpo, gravidez, doenças sexualmente transmissíveis e relacionamentos.

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Além das aulas, há um serviço no site do colégio chamado “Sex Tips”, em que os estudantes enviam dúvidas com garantia de anonimato. “Recebemos uma média de 80 e-mails por mês”, afirma a coordenadora de orientação sexual Estela Zanini. Como a escola pode saber se é hora de falar de sexo?

A orientadora educacional Sandra Gianoccaro, do Colégio Sion, diz que o desenvolvimento físico é um sinal. “Acontece mais cedo hoje, por volta dos 11 anos, justamente por causa da erotização precoce.” O interesse pelo sexo oposto é outro indicativo (essa observação também deve ser feita pelos pais). O que importa é a educação sexual não tratar apenas o lado biológico, esquecendo o comportamental.

“Sem discutir o que sente, o jovem não dá conta de questões ligadas ao social”, diz a psicóloga Isabel Theodoro, coordenadora do Projeto de Orientação Sexual e Prevenção às Drogas do colégio paulistano Pio XII.

Ainda que família e escola se esforcem, uma cultura popular recheada de apelos sexuais complica a situação. Letras de música, filmes, novelas, seriados de tevê apimentados e até o excesso de vaidade na busca por perfeição física permeiam o cotidiano de crianças e adolescentes. “E o tesão é uma força avassaladora da natureza”, diz a educadora sexual Maria Helena Vilela, diretora do Instituto Kaplan, de São Paulo. A saída para que esse sentimento poderoso aflore na hora certa é impedir ao máximo que a garotada tenha contato com o bombardeio erótico. Como essa pode ser uma tarefa inglória, os pais devem ficar atentos aos sinais de interesse pelo sexo que os filhos demonstrem e usar a oportunidade para conversar (leia quadro).

Cuidados com a internet, o celular e as câmeras digitais devem ser redobrados. Por mais que meninos e meninas mostrem desenvoltura ao lidar com tecnologia, não significa que eles entendam quanto podem se expor.

Muitos não calculam o real alcance do que cai na rede. “Eles confundem público com privado, vivem na era da imagem e acabam se comprometendo demais. Uma menina que tira foto nua ou seminua e manda para o namorado não é tão raro. Acontece em cada vez mais escolas”, diz Estela Zanini, do olégio Bandeirantes. “É mais ingenuidade do que onipotência.” É possível instalar programas no computador que bloqueiam determinados sites. Quanto ao celular e às câmeras, basta não ceder aos apelos dos menores (até 12 anos) e procurar orientar ao máximo os mais velhos. “Tem criança de 7 anos com celular de última geração. Pais querem compensar a ausência dando tudo. Eles precisam de tempo para entender os filhos”, diz a conselheira tutelar Salete. Sexo nunca foi tabu na casa da professora carioca Sandra Oliveira, 44 anos.

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“Sempre mostrei onde ficavam as camisinhas e falei desde a pré-adolescência sobre prevenção”, afirma. Ainda assim, ao descobrir que o caçula L., 15 anos, já tinha vivido a primeira relação sexual com a namorada, de apenas 14 anos, ficou preocupada. “Não é fora do padrão, mas poderia ter esperado mais um pouco”, diz. O menino L. liga todos os dias para sua eleita a fim de lembrála do anticoncepcional. “O compromisso é dos dois”, acredita o adolescente, que também usa preservativo. “Ele tem de se cuidar porque sabe que aqui em casa tem informação, não dá para vacilar”, destaca Sandra.

Mas informação à disposição não é garantia de vida sexual saudável quando se trata de crianças e adolescentes. Pode ser que os pré-adolescentes envolvidos na história de Ibirubá tenham recebido orientação em casa. Ou que estejam sofrendo justamente pelo excesso de “conhecimento” que encontraram por caminhos tortuosos. A certeza hoje é de que eles precisam de tratamento psicológico e da compreensão da sociedade para superarem o trauma de terem a infância roubada por aquilo que consideraram uma brincadeira. Porque seus olhares e expressões continuam refletindo feições de crianças. Agora, assustadas, tristes e sob o peso da difamação. Tão precoce quanto sua iniciação sexual.

Fonte: Revista IstoÉ

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Aperte o Play | Guidom – Crombie

Guidom – Crombie
Composição: Paulo Nazareth

Eu sigo certo na contra-mão
do meu desejo equivocado
Passei no meio da confusão
andando sempre orientado

Eu não pedalo sozinho não
quem foi que disse que eu controlo meu guidom?
Quem me guia é quem me fez
e eu vivo um dia de cada vez
Que é pra eu não me perder
nem me equivocar no meu querer

Quem me guia é quem me fez
e eu vivo um dia de cada vez

Deixo pra trás
a vontade de desistir
Trago comigo
a esperança no porvir
e a força pra prosseguir

Namoro virtual

A INGRATIDÃO


Conta-se uma história de um vendedor, num quiosque de rua, que vendia laranja a 50 centavos cada uma. Um atleta que passava por ali a correr, lançou 2 moedas de 25 centavos no balde, mas não levou nenhum laranja. Ele fez a mesma coisa, diariamente, durante meses.

Um dia, quando o atleta passava, o vendedor fê-lo parar. O corredor perguntou: “Provavelmente quer saber porque deixo o dinheiro, mas nunca levo uma laranja, certo?” “Não,” disse o vendedor. “Quero apenas dizer-lhe que as laranjas subiram para 60 centavos cada.”

Muitas vezes, como crentes, tratamos Deus com esta mesma atitude. Não apenas somos ingratos para com o que Ele nos dá – mas queremos mais. De alguma maneira sentimos que Deus nos deve boa saúde, uma vida confortável e bênçãos materiais.

Claro que, Deus não nos deve nada, contudo Ele dá-nos tudo. 

Aperte o Play | Palavrantiga

Palavrantiga | Rookmaaker

Eu leio Rookmaaker, você Jean Paul Sartrê.
A cidade foi tomada pelos homens.
Na cidade dos homens tem gente que consegue ler,
mas os outros estão néscios pra Ti.

Eu canto Keith Grenn, você canta o que?
A cidade está cheia de sons.
Na cidade dos homens tem gente que consegue ouvir,
mas os outros estão surdos pra Ti.

Vem jogando tudo pra fora.
A verdade apressa minha hora.
Vem revela a vida que é nova.
Abre os meus olhos agora.

Eu fico com a escola de Rembrandt você no dadaísmo de Berlim.
A cidade está cheia de tinta.
Na cidade dos homens tem gente que consegue ver,
mas os outros estão cegos pra Ti.

Eu monto o paradoxo no palco. Você anda zombando da Cruz.
A cidade está cheia de atores.
Na cidade dos homens tem gente que consegue dizer,
mas os outros estão mudos pra Ti.

Vem jogando tudo pra fora.
A verdade apressa minha hora.
Vem revela a vida que é nova.
Abre os meus olhos agora.

Toda vez que procuro pra mim algo pra ler, ouvir, olhar e dizer,
Senhor sabe o que eu quero.
Não me furto a certeza: és a Vida que eu quero.

Em Poucas Palavras | Livre para ser Livre

 “Ora, o Senhor é o Espírito e, onde está o Espírito do Senhor, ali há liberdade.” 2 Coríntios 3:17

Robert W. Youngs contou a seguinte história:

“Eu tenho na minha mesa uma corda de violão … ela está livre.
Eu torço uma extremidade e ela se mexe. Ela está livre.
Mas, ela não está livre para fazer o que uma corda de violão deveria fazer – produzir música.
Então eu a tomo, coloco no meu violão, e a aperto até que fique esticada.
Só então é que ela está livre para ser uma corda de violão.
Da mesma forma, somos livres quando nossas vidas estão sem compromisso, mas, não para ser o que fomos destinados a sermos. A verdadeira liberdade não é liberdade de algo, mas liberdade para ser algo.”

Muitos falam que ser cristão é ser escravo de um monte de regras, mas será que isso é verdade?
Em 1 Coríntios 10:23 lemos que “todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas convêm; todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas edificam.”
Essas palavras definem bem nossa liberdade.

Todas as pessoas querem ser livres para fazerem o que quiserem e Deus até permite que tomem suas próprias decisões, mas será que a maioria das pessoas não está vivendo como uma corda de violão que não está no violão? 

A Bíblia é fantástica e nela encontramos o porquê de sermos livres.”Porque somos criação de Deus realizada em Cristo Jesus para fazermos boas obras, as quais Deus preparou de antemão para que nós as praticássemos.” Efésios 2.10

Jesus Cristo disse que muitas vezes, as pessoas pensam que são livres vivendo para si mesmas quando na verdade são escravas dos seus próprios pecados. “Todo aquele que vive pecando é escravo do pecado.” João 8.34

 

Um filósofo disse: “Não alcançamos a liberdade buscando a liberdade, mas sim a verdade. A liberdade não é um fim, mas uma consequência.” Léon Tolstoi

Baseados nisso, como é possível ser livre de verdade?

O próprio Jesus de Nazaré nos dá a resposta. Ele disse: “conhecerão a verdade, e a verdade os libertará”. João 8.32

Enfim,como você entende que é a sua liberdade hoje? Você é uma corda de violão fora ou alinhada no violão da vida. Está vivendo livre ou para ser livre?“A verdadeira liberdade não é liberdade de algo, mas liberdade para ser algo.”

Pense e ore por isso.
Um forte abraço
Daniel Protásio

A liberdade da corda do violão

Por Robert W. Youngs

Eu tenho na minha mesa uma corda de violão … ela está livre.
Eu torço uma extremidade e ela se mexe. Ela está livre.
Mas, ela não está livre para fazer o que uma corda de violão deveria fazer – produzir música.
Então eu a tomo, coloco no meu violão, e a aperto até que fique esticada. Só então é que ela está livre para ser uma corda de violão.

Da mesma forma, somos livres quando nossas vidas estão sem compromisso, mas, não para ser o que fomos destinados a sermos. A verdadeira liberdade não é liberdade de algo, mas liberdade para ser algo.

Programa Metanoia | O que eles falam sobre os jovens não é sério!

 

Os personagens e mensagens de “A Viagem do Peregrino da Alvorada”

Devin Brown

Personagem #1 – Eustáquio

Jesus explicou aos Seus seguidores que Ele veio para buscar e salvar o que se havia perdido. E, como aconteceu anteriormente a Edmundo na primeira história, Eustáquio é um jovem menino que definitivamente tem estado no caminho errado por tanto tempo, que já não é capaz de ver nenhum outro – aos seus olhos, ele não faz nada de errado. Edmundo se refere ao primo como “nojento” – e isso seria explicar a condição espiritual de Eustáquio em palavras brandas.

Amigos? Lewis diz que ele não tem nenhum. Felicidade? Eustáquio conhece só um tipo: desprezar e agredir os outros, desde que sejam menores ou mais fracos que ele, ou fáceis de se atacar pelas costas. Mas mesmo quando Eustáquio é um nojento, Aslam o ama e não irá abandoná-lo numa vida que só leva à miséria a curto prazo, e à destruição no final. Através de um quadro, que cria vida no momento certo, assim como fez o guarda-roupa, Eustáquio é levado para Nárnia, opondo-se e queixando-se.

Em O Problema do Sofrimento, Lewis ressalta que o Evangelho, quando foi pregado pela primeira vez, “trouxe notícias de uma possível cura para os homens que sabiam achar-se mortalmente enfermos”. Mas agora, Lewis diz, tudo isso mudou. Hoje, antes de as boas notícias do poder curador de Cristo possam ser aceitas, as pessoas precisam ser convencidas das más notícias de seu estado espiritual. No filmeJornada pela Liberdade [no original, Amazing Grace], apesar de sua memória estar perdendo-se com sua idade,John Newton declara que ele sabe sem dúvidas de duas coisas: “Eu sou um grande pecador e Cristo é um grande Salvador”. Os homens modernos – e Eustáquio é muito moderno – precisam ser alertados da primeira verdade antes de conhecerem a segunda.

Lewis sugere que Deus sussurra para nós em nossos prazeres, fala em nossa consciência, mas grita em nossas dores. O sofrimento, Lewis escreve, “é o megafone de Deus para despertar um mundo surdo”. Depois, Eustáquio é capturado por mercadores de escravos em Felimate, e ninguém irá comprá-lo. Mas Eustáquio fica surdo à mensagem que esse episódio tem para ele, da mesma forma como ele foi durante toda sua vida, sem indicação alguma de que ele é a pessoa maravilhosa que pensa ser.

Pela graça, Eustáquio é dolorosamente avisado da vida de Dragão que ele estava levando. Com a ajuda de Aslam, ele é levado a ver o que realmente ele é e como ele findará. Cheio de horror e nojo, Eustáquio faz pequenas, superficiais melhorias, mas ele é incapaz de mudar a si mesmo de maneira completa e duradoura, é incapaz de libertar-se das cadeias do profundo egoísmo, da crueldade, e do orgulho que o aprisionam.

Eustáquio Clarêncio Mísero compartilha mais do que um nome sugestivo e a relativa semelhança com as iniciais de seu criador, Clive Staple Lewis. Em uma carta que Lewis escreveu sobre seu próprio despertar espiritual, ele confessa: “eu descobri coisas ridículas e terríveis sobre meu próprio caráter… Parece que ele não tem fim. Mais e mais profundo em mim, amor próprio e auto-admiração”.

Finalmente, Aslam diz a Eustáquio, “Você terá de deixar que eu o desvista”*. E ‘deixar’ é uma palavra-chave, pois Aslam não irá forçar sua salvação em ninguém. Eustáquio consente e, através de outra provação dolorosa, ele é renovado e colocado no caminho certo.

Depois de seu encontro com Aslam, Eustáquio não vira alguém perfeito, mas começa a se dirigir no sentido certo e então se transforma numa ilustração de como os cristão começam a crescer e amadurecer após a conversão. Lewis escreve: “Seria bonito e muito próximo da verdade dizer que, dali por diante, Eustáquio mudou completamente. Para ser rigorosamente exato, começou a mudar. Às vezes, tinha recaídas. Em certos dias era ainda um chato. Mas a cura havia começado”.

John Newton diz, “Eu era cego, mas agora vejo. Eu não escrevi isso?”. Quando Wilberforce concorda, Newton declara, “Agora, finalmente, é verdade”. Eustáquio também era inicialmente cego para sua terrível condição espiritual. Mas depois de A Viagem do Peregrino da Alvorada, Eustáquio, assim como Newton, pode proclamar, “Eu estava perdido, mas fui achado”. Através de Eustáquio – um dos mais memoráveis e amados personagens nas Crônicas – Lewis poderosamente comunica as más notícias sobre nosso estado pecaminoso e as boas notícias da graça de Deus e de Sua cura para nós.

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Devin Brown é um dos mais renomados conhecedores sobre CS Lewis e suas obras em todo o mundo. É dele o famoso livro “Os Bastidores de Nárnia“. Nesta semana, o site da Samaritan’s Purse trouxe um ótimo texto de Brown, sobre os principais personagens de A Viagem do Peregrino da Alvorada. Confira nesta primeira parte uma descrição sobre Eustáquio Clarêncio Mísero – e fique atento para as próximas partes!

COLAGEM: Um herói que sangra – De um cego a Foo Fighters.

Marcos Botelho em seu Vlog Colagem.

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