A transformação pelo fogo
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“Milho de pipoca que não passa pelo fogo continua sendo milho para sempre.”
Assim acontece com a gente. As grandes transformações acontecem quando passamos pelo fogo. Quem não passa pelo fogo, fica do mesmo jeito a vida inteira. São pessoas de uma mesmice e uma dureza assombrosas. Só que elas não percebem e acham que seu jeito de ser é o melhor jeito de ser.
Mas, de repente, vem o fogo. O fogo é quando a vida nos lança numa situação que nunca imaginamos: a dor. Pode ser fogo de fora: perder um amor, perder um filho, o pai, a mãe, perder o emprego ou ficar pobre. Pode ser fogo de dentro: pânico, medo, ansiedade, depressão ou sofrimento, cujas causas ignoramos.
Há sempre o recurso do remédio: apagar o fogo! Sem fogo o sofrimento diminui. Com isso, a possibilidade da grande transformação também.
Imagino a pobre pipoca fechada dentro da panela, lá dentro cada vez mais quente, pensa que sua hora chegou: vai morrer. Dentro de sua casca dura, fechada em si mesma, ela não pode imaginar um destino diferente para si. Não pode imaginar a transformação que está sendo preparada para ela.
A pipoca não imagina aquilo de que ela é capaz. Aí, sem aviso prévio, pelo poder do fogo a grande transformação acontece: BUM!
E ela aparece como uma outra coisa completamente diferente, algo que ela mesma nunca havia sonhado.
Bom, mas ainda temos o piruá, que é o milho da pipoca que se recusa a estourar. São como aquelas pessoas que, por mais que o fogo esquente, se recusam a mudar. Elas acham que não pode existir coisa mais maravilhosas do que o seu jeito de ser. A presunção, o medo, são a dura casca do milho que não estoura. No entanto, seu destino é triste, já que ficará dura a vida inteira.
Não vão se transformar na flor branca, macia e nutritiva. Não vão dar alegria para ninguém.
Rubem Alves
Do livro: “O amor que acende a lua”
Editora Papirus
A Liberdade de Barrabás

Aconteceu depressa demais.
Num minuto Barrabás estava na cela da morte, com os pés batendo na parede, e no seguinte foi solto; piscando os olhos por causa do sol brilhante.
“Você está livre.” Barrabás coçou a barba.
“O quê?” “Você está livre. Eles ficaram com o Nazareno em seu lugar.”
Barrabás tem sido muitas vezes comparado com a humanidade e isso é certo.
De muitas maneiras ele nos representa: um prisioneiro libertado porque alguém que jamais vira tomou o seu lugar. Penso porém que Barrabás era provavelmente mais esperto que nós em um aspecto.
Quanto sabemos, ele aceitou sua repentina liberdade pelo que era, um presente não merecido. Alguém lhe atirou um salva-vidas e ele agarrou-o, sem perguntas. Não é possível imaginá-lo usando alguns de nossos truques. Nós recebemos nosso presente gratuito e tentamos ganhá-lo, diagnosticá-lo, ou pagar por ele, em vez de dizer simplesmente “obrigado” e aceitá-lo.
Por mais irônico que pareça, uma das coisas mais difíceis é ser salvo pela graça.
Há alguma coisa em nós que reage negativamente ao dom gracioso de Deus. Temos uma compulsão estranha que nos leva a criar leis, sistemas, regulamentos, para nos tornar “dignos” de nosso dom. Por que agimos assim? A única razão em que posso pensar é o orgulho.
Aceitar a graça significa aceitar a sua necessidade e a maioria das pessoas não gosta disso. Aceitar a graça também significa que o indivíduo compreende o seu desespero e quase ninguém aprecia isso também. Barrabás, porém, foi mais sabido. Perdido para sempre na cela da morte, ele não recuou ao ver-se libertado. Ele talvez não compreendesse a misericórdia e certamente não a merecia, mas não a recusou.
Devemos procurar entender que nossa dificuldade não é muito diferente da de Barrabás. Nós também somos prisioneiros sem possibilidade de apelação. Mas porque alguns preferem continuar presos quando a porta da cela foi aberta é um mistério que vale a pena ser estudado.
Max Lucado em “Seu Nome É Salvador”, Copyright 1987 Editora Vida Cristã
Um estilo de liderança cristológico
Stanley Hauerwas comparou um teólogo ao estudante de medicina: “O que anatomia é para a cirurgia médica, cristologia é para o cristianismo”.
Com freqüência, estudantes de medicina preferem os cursos de cirurgia plástica, medicina oriental, psiquiatria, em vez de anatomia. Entretanto, o currículo de qualquer faculdade de medicina exige vários créditos dentro do departamento de anatomia. Ninguém será um bom médico se reprovar em anatomia!
Da mesma forma, o fundamento absoluto do cristianismo não é sua moralidade, sua perfeita lógica, sua filosofia de vida, ou suas maravilhosas doutrinas. O centro do cristianismo é a pessoa de Cristo, o Filho de Deus e todos os eventos centrais de sua vida: sua encarnação, morte, ressurreição, ascensão e segunda vinda. A mensagem do evangelho é a própria pessoa de Cristo (1Co 1:23, 5:7, 15:3). A essência do cristianismo não é a Bíblia, os credos da igreja, as estruturas institucionais, mas o próprio Jesus Cristo, Deus-homem. Essa é a anatomia do cristianismo! Essa é a estrutura que rege a identidade da igreja e nosso modelo de liderança! Diferente de qualquer outra religião ou filosofia, a liderança cristã é a única que encontra seu caminho, verdade, modelo e essência na pessoa de Cristo. As implicações disso são imensas!
Lesslie Newbigin afirma que Jesus é a dica-chave, a pista para compreender a história. Sempre haverá fortes tentações para encontrarmos a felicidade no sucesso e reconhecimento, nos resultados ministeriais e projetos pessoais. Somos levados a encontrar sentido na vida tendo em vista a eficácia dos nossos programas de crescimento da igreja ou o desenvolvimento de nossa capacidade de liderança. Lembremos que qualquer tentativa de compreender nossa identidade longe de Cristo será parcial e limitada. Ele é a essência e sentido da vida, o nosso propósito neste mundo.
A fonte, centro e objetivo da história é Jesus. Ele é Senhor e Salvador do mundo. A revelação de Deus em Cristo é o ponto de partida, o fundamento da história. Somente à luz de Cristo, pastores e líderes compreenderão o encontro do evangelho e cultura bem como sua identidade, propósito de vida e estilo de liderança. John Stott disse: “Cristo é a fonte e caminho, o coração e alma, o alicerce e alvo de toda missão”.[1] O ponto de partida e chegada da história é Jesus. O cristianismo somente faz sentido a partir de tudo que aconteceu na vida, morte e ressurreição de Jesus de Nazaré. Em 1Co 15:14, Paulo afirma o seguinte: “E, se Cristo não ressuscitou, é vã a vossa pregação e vã a vossa fé”. Sem Jesus não há cristianismo. Não existe verdade alguma no cristianismo “do lado de fora” de Jesus. Sem Jesus não há igreja, não há missão. Sem Jesus, não existirá modelo de liderança eficaz, por mais convincentes que sejam suas técnicas e estratégias. Todo e qualquer estilo de liderança deve ser gestado e moldado a partir da revelação integral de Cristo. Nosso compromisso não é uma causa ou ideologia. Nosso compromisso é com uma pessoa.
Como C.S. Lewis disse certa vez, Jesus falou e agiu de tal forma que, ou nós o seguimos ou então decidimos que ele era um louco. Não há outra opção. Ou vivemos como ele viveu, nos integrando ao seu projeto, ou viramos as costas conscientes de que ainda é melhor viver como cidadãos deste mundo. Assim, nosso compromisso é continuamente renovado através da repetida aceitação de sua morte e ressurreição. Deus não deixou o mundo intocável depois da morte de Jesus. Pelo contrário, o evangelho trouxe mudanças ao coração da história, movendo-se como ondas de influência em expansão, afetando todas as dimensões e esferas da vida.
Portanto, somente um estilo de liderança modelado na pessoa de Jesus encontrará amor no ministério, reconciliação nas complexas relações humanas, perdão das ofensas, serviço num mundo individualista e restauração do projeto de Deus para a humanidade. Todos aqueles que agem pastoral e missionariamente devem seguir Jesus, clonando o máximo possível de sua personalidade e imitando seu estilo de vida.
[1] The Contemporary Christian, p. 356.
Fonte: Sepal
COLAGEM: Pés cansados, pai amoroso e filhos rebeldes
COLAGEM: Juntando o que originalmente nasceu separado!
Nada melhor do que um pai que segura no colo o filho que tem os pés cansados de tanto andar.
A Ciência & A Bíblia
Um senhor de 70 anos viajava de trem, tendo ao seu lado um jovem universitário, que lia o seu livro de ciências . O senhor, por sua vez, lia um livro de capa preta. Foi quando o jovem percebeu que se tratava da Bíblia e estava aberta no evangelho de Marcos.
Sem muita cerimônia o jovem interrompeu a leitura do velho e perguntou:
O senhor ainda acredita neste livro cheio de fábulas e crendices?
Sim, mas não é um livro de crendices. É a Palavra de Deus. Estou errado?
Respondeu o jovem:
- Mas é claro que está! Creio que o senhor deveria estudar a História Universal. Veria que a Revolução Francesa, ocorrida há mais de 100 anos, mostrou a miopia da religião. Somente pessoas sem cultura ainda crêem que Deus tenha criado o mundo em seis dias. O senhor deveria conhecer um pouco mais sobre o que os nossos cientistas pensam e dizem sobre tudo isso.
E o que pensam e dizem os nossos cientistas sobre a Bíblia?
pior que uma ameba.
Fato verídico ocorrido em 1892, integrante da biografia de Louis Pasteur.
É hora de cair fora ou até que a morte nos separe?
Até Nas Melhores Famílias
Testemunho da série Até Nas Melhores Famílias, realizada na Igreja Presbiteriana em Alphaville em 2011
Série | Deus, Meu Coração e as Roupas #3ª Parte
Por C. J. Mahaney / Fonte: www.tempodecolheita.com.br
A Aparência da mulher Modesta
Como são as roupas humildes, modestas? O versículo 1 Timóteo 2.9 nos diz, “as mulheres se ataviem com traje decoroso… não com tranças, ou com ouro, ou pérolas, ou vestidos custosos”.
Para entendermos melhor esse versículo, vamos retornar aos tempos do início da igreja. Houve problemas nas reuniões da igreja, e Paulo estava escrevendo a Timóteo “para que… saibas [soubesse] como se deve proceder na casa de Deus, a qual é a igreja do Deus vivo, coluna e esteio da verdade” (1 Timóteo 3.14-15).
Obviamente, algumas pessoas não estavam se comportando de uma maneira digna da igreja do Deus vivo, por isso necessitavam da advertência graciosa do apóstolo.
Paulo começa, apropriadamente, com os homens: “Quero, pois, que os homens orem em todo lugar, levantando mãos santas, sem ira nem contenda” (1 Timóteo 2.8). Ele está dizendo, “Gente, parem de brigar na igreja! Vocês estão tirando o foco da adoração, dos ensinamentos e da oração. A ira é sempre ruim, mas principalmente na igreja, na casa de Deus, na igreja do Deus vivo. Vocês precisam parar de brigar e começar a orar!” Então, Paulo se dirige às mulheres no versículo, que acabamos de ler (1 Timóteo 2.9). Ele está preocupado porque algumas delas estão imitando a maneira de vestir das mulheres da corte romana e das prostitutas. Essas mulheres eram conhecidas por suas roupas e jóias caras e penteados sofisticados; elas se vestiam não somente para chamar a atenção, mas também para seduzir os homens.
Quando as mulheres da igreja chegaram vestidas dessa forma, não é de se surpreender que tirassem o foco da adoração a Deus. Além disso, por meio de suas vestes ostensivas, associavam-se com os ricos (se dife-renciando dos pobres) e com os ímpios (se diferenciando dos seus irmãos e irmãs da igreja). As suas vestes causavam distração e talvez até mesmo discórdia.
É por isso que Paulo as orienta a se vestirem “com traje decoroso” e “não com tranças, ou com ouro, ou pérolas, ou vestidos custosos”. Ele quer que o Salvador, e não um estilo sedutor, seja o foco da congregação—e realmente, o foco de tudo na vida.
Então, a questão real não eram as tranças, o ouro, as pérolas ou os vestidos custosos. A questão eram—e são—roupas associadas a valores mundanos e ímpios: roupas que dizem “olhem pra mim” e “estou com o mundo”.
Deixe-me ser claro: Paulo não está categoricamente proibindo uma mulher de melhorar sua aparência—no domingo ou em qualquer outro dia da semana. Na verdade, você encontrará outras partes da Bíblia onde mulheres piedosas usavam roupas e jóias finas.
A mulher de caráter nobre em Provérbios 31 se vestia com roupas coloridas e de boa qualidade (v. 22). Da mesma forma, a noiva, nos Cantares de Salomão, se enfeitava com joias (1.10). Ester fez um tratamento de beleza por doze meses (Ester 2.12). Obviamente, Deus não é contra as mulheres se fazerem belas.
Como minha esposa Carolyn observou:
“Deus é o criador da beleza. Deus se deleita na beleza. Tudo que precisamos para verificar esse fato é considerarmos a beleza que ele criou ao nosso redor: uma flor elegante, uma árvore colossal, um rio serpeante, as nuvens no céu ou uma noite majestosa. Todas as vezes que paramos para admirar uma dessas cenas maravilhosas que demonstram a criação de Deus, realmente nos convencemos de que ele tem prazer na beleza! Porque fomos criados à imagem do nosso Criador, temos a tendência a tornar as coisas belas. Isso quer dizer que—quando decoramos nossa casa, plantamos um jardim florido, buscamos adicionar alguma forma de beleza ao nosso redor e até mesmo quando tentamos melhorar nossa aparência física—estamos imitando e nos deleitando nas obras do nosso Grande Criador.:
Admiro o desejo feminino da minha mulher de buscar a beleza e sua capacidade de fazer a si mesma e àquilo que está a sua volta atraente. Uma mulher pode honrar a Deus melhorando sua aparência pessoal ou trazendo beleza ao seu ambiente.
John Angell James concorda, com reservas:
Essa propensão [para a beleza], embora em muitos casos possa ser totalmente corrompida em seu objetivo, errada em seu princípio ou excessiva em seu grau, é em sua própria natureza uma imitação das obras de Deus, que, “pelo seu sopro ornou o céu” e cobriu a terra com beleza.
James está certo. A propensão de uma mulher para a beleza pode ser uma imitação do caráter de Deus, mas pode também se tornar corrompida. E esse era o caso da igreja do primeiro século. Paulo advertiu as mulheres que professaram a santidade: “Vocês não devem se vestir de maneira a ficarem parecidas com mulheres que são extravagantes, ou pior, que têm a intenção de serem sedutoras ou sexualmente atraentes. Vocês não devem se identificar com a cultura ímpia, mundana por meio das suas roupas”. Paulo escreveu não para condenar o vestuário atrativo delas, mas para abordar sua corrupção pela associação com valores e ideais mundanos.
Essa verdade é igualmente importante em todas as épocas. Pense no que inspira sua maneira de se vestir.
Com quem você está se identificando por meio da sua aparência?
Quem você está tentando imitar com a sua maneira de se vestir?
O seu cabelo, as suas roupas ou algum outro aspecto da sua aparência revelam uma fascinação excessiva com os valores culturais mundanos?
Você está preocupada em se parecer com as mulheres na escola e no trabalho, com as atrizes, as celebridades e as modelos nas capas de revista ou com sua vizinha imodesta?
Você quer ser como as mulheres piedosas da Bíblia ou como as mundanas da nossa cultura?
As mulheres na igreja não devem se igualar às mulheres sedutoras do mundo. As mulheres na igreja devem ser diferentes. Elas devem se destacar não pelas suas roupas reveladoras, mas pelo seu coração e pela sua maneira de se vestir distintivamente modestos.
Leia a #1ª Parte; #2ª Parte
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Extraído do capítulo “Deus, Meu Coração e as Roupas” escrito por C. J. Mahaney no livro“Mundanismo, como resistir à sedução de um mundo caído”, © 2010. O livro estará disponível pela Editora Tempo de Colheita em Dezembro. Usado com permissão da Editora Tempo de Colheita, Niterói – RJ. www.tempodecolheita.com.br
Série | Deus, Meu Coração e as Roupas #2ª Parte

Por C. J. Mahaney / Fonte: www.tempodecolheita.com.br
O comportamento da mulher modesta
Qualquer discussão bíblica sobre a modéstia se inicia endereçada ao coração e não ao comprimento da saia. Devemos começar com a atitude da mulher modesta.
Essa ênfase no coração é o destaque de 1 Timóteo 2.9. Note a frase “com modéstia e sobriedade”. Todo traje decoroso resulta de um coração piedoso, onde a modéstia e a sobriedade têm origem. A maneira de nos vestirmos é uma declaração pública da nossa motivação pessoal e privada. E porque professamos santidade, devemos nos preocupar em cultivar essas virtudes gêmeas—a modéstia e a sobriedade.
Modéstia significa decoro. Significa evitar roupas e adornos extravagantes ou sexualmente atrativos. Modéstia é a humildade expressa na maneira das pessoas se vestirem; é o desejo de servir aos outros, principalmente aos homens, não promovendo ou provocando a sensualidade.
Imodéstia, então, é muito mais do que usar uma saia curta ou uma blusa decotada; é o ato de atrair atenção indevida para si mesmo. É o orgulho demonstrado pela maneira como as pessoas se vestem.
Sobriedade é, em uma só palavra, moderação. Moderação com o propósito de pureza; moderação com o propósito de exaltar a Deus e não a nós mesmos. Juntas, a modéstia e a sobriedade deveriam ser a marca do vestuário das mulheres piedosas.
Nos tempos de Paulo e Timóteo, a modéstia e a sobriedade eram desconhecidas por muitas mulheres que andavam no mercado da cidade, assim como eram para Jenni e são para a maioria das mulheres nos shopping centers de hoje. E esses conceitos com certeza são desconhecidos pelos estilistas de moda, cujo objetivo na criação de roupas é a provocação sexual.
Mas, para as mulheres piedosas, a modéstia e a sobriedade devem estar distintivamente presentes no coração. A pergunta é: essas qualidades estão distintivamente presentes no seu coração?
Tal comportamento fará a diferença no vestuário de uma mulher, como o pastor John MacArthur observou:
Como uma mulher discerne o limite entre se vestir apropriadamente e para ser o centro das atenções?
A resposta começa na intenção do coração. A mulher deve examinar os motivos e objetivos da maneira como se veste. A sua intenção é mostrar a graça e a beleza da feminilidade?…
É revelar um coração humilde, desejoso de adorar a Deus? Ou é chamar atenção para si mesma e ostentar sua… beleza? Ou pior, tentar atrair homens sexualmente? A mulher que se concentra em adorar a Deus considerará cuidadosamente a maneira de se vestir, porque o seu coração controlará o seu vestuário e a sua aparência.3
Qualquer debate sobre a modéstia “começa na intenção do coração”. Então, pare e pense: qual é a intenção do seu coração quando compra roupas? Um coração humilde e desejoso de servir controla o seu vestuário e a sua aparência? Quando você compra roupas, a modéstia e a sobriedade predominam? Ou a sua maneira de se vestir é motivada pelo desejo de chamar atenção e obter aprovação das outras pessoas? O seu estilo reflete falta de sobriedade?
Há uma forte ligação entre o seu coração e as suas roupas. Suas roupas dizem algo sobre o seu comportamento. Se elas não expressarem um coração humilde, desejoso de agradar a Deus, de servir os outros, um coração modesto, sóbrio, então a transformação deverá começar no seu coração.
Pois modéstia é humildade expressa na maneira de se vestir.
Leia a #1ª Parte; #3ª Parte
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Extraído do capítulo “Deus, Meu Coração e as Roupas” escrito por C. J. Mahaney no livro “Mundanismo, como resistir à sedução de um mundo caído”, © 2010. O livro estará disponível pela Editora Tempo de Colheita em Dezembro. Usado com permissão da Editora Tempo de Colheita, Niterói – RJ. www.tempodecolheita.com.br
Ilustração | COISA DE LOUCO.

Um homem visitava um hospício. O enfermeiro mostrava-lhe pacientemente os vários setores daquela casa. Intrigado com a flagrante desproporção entre o número de funcionários e o de enfermos ali internados, o visitante perguntou:
- Vocês não têm medo de que os internos se unam e agridam vocês? Afinal, eles são em número muito maior!
O enfermeiro respondeu:
- Oh! Não, ninguém precisa ficar com medo. OS LOUCOS NUNCA SE UNEM.
“Como é bom e agradável quando os irmãos convivem em união!” Salmo 133.1
Série | Deus, Meu Coração e As Roupas #Parte 1

Por C. J. Mahaney / Fonte: www.tempodecolheita.com.br
Quando se trata de moda, sou deliberadamente desatualizado. Não me importo se o que estou vestindo está dentro das últimas tendências da moda ou não. De fato, meu objetivo é resistir às influências externas (de Paris, Hollywood ou qualquer outro lugar) sobre o meu vestuário. Como um homem de verdade, gosto de estar fora de estilo.
Quero me sentir confortável com o que estou vestindo, e é por isso que minha camisa manchada e minha calça de tactel cinza são as peças mais usadas no meu guarda-roupa, depois da minha única calça jeans, que uso para ir a todo lugar onde não seja apropriado ir de camiseta e calça de tactel.
Se alguma vez você me vir bem vestido em público, é porque minha esposa e minhas filhas, ao contrário de mim, se importam com as minhas roupas. São adoráveis mulheres de muito bom gosto. Cada uma delas tem o seu estilo único de se vestir. Gosto de tentar encontrar presentes para elas que sejam compatíveis com o seu estilo individual.
“Adorno e vestuário é uma área com a qual as mulheres geralmente se preocupam”, escreve George Knight (que deve ter tido filhas adolescentes). Isso é bom. Deus criou as mulheres com o dom de fazerem a si mesmas—assim como todas as coisas ao seu redor—bonitas a atraentes. Mas como Sr. Knight continua a observar, vestuário também é uma área “na qual há perigos de imodéstia e indiscrição”.1
No entanto, muitas jovens não têm consciência desses perigos mundanos. Há alguns anos, preguei um sermão na igreja sobre 1 Timóteo 2.9 intitulado “A Alma da Modéstia”. E esse sermão chegou aos ouvidos de uma jovem chamada Jenni. Antes de ouvi-lo, Jenni não tinha a menor ideia do que a Palavra de Deus dizia sobre a maneira de nos vestirmos. “A modéstia era uma palavra que eu desconhecia”, Jenni confessou mais tarde, durante um testemunho para a congregação da nossa igreja.
Meus amigos me apelidaram de “escandalosa”. Quando ia escolher uma roupa, pensava no que valorizaria o meu corpo, chamaria mais atenção, inspirando-me nas modelos e outras mulheres que estão por dentro da moda. Queria ser aceita e admirada pelas roupas que vestia. Gostava de me produzir, da atenção que recebia e de como isso estimulava meus sentimentos.
Talvez você se identifique com a Jenni. Talvez para você a modéstia não pareça nem um pouco atrativa. Se fizéssemos o jogo de associação de palavras, você diria “fora de estilo” e “legalista”. Talvez você pense que Deus é indiferente com relação ao seu modo de se vestir. Por que ele se importaria?
Mas como Jenni acabou por descobrir, não há “um centímetro quadrado”2 da nossa vida—inclusive nosso armário—com o qual Deus não se importe. E, mais do que isso, ele se importa com o coração por trás das roupas e se a forma de nos vestirmos revela a presença do mundanismo ou da santidade.
A prova vem de 1 Timóteo 2.9, onde Paulo orienta “que as mulheres se ataviem com traje decoroso, com modéstia e sobriedade, não com tranças, ou com ouro, ou pérolas, ou vestidos custosos”. Semelhante a 1 João 2.15, temos a tendência de ignorar esse versículo, ou reinterpretá-lo, a fim de escapar de seu imperativo. Mas não devemos eliminar 1 Timóteo 2.9 da nossa Bíblia. Devemos buscar entender como ele se aplica a nossa vida, a nossos hábitos de comprar roupas e ao conteúdo do nosso guarda-roupa.
Este capítulo é basicamente voltado às mulheres, não apenas porque é a elas que 1 Timóteo 2.9 se dirige, mas também porque este tema é mais importante para as mulheres. George Knight está certo, e a experiência das mulheres pode confirmar a importância deste tema. No entanto, a modéstia pode ser aplicada também aos homens—cada vez mais na cultura de hoje. E principalmente aos pais, que são responsáveis por criar filhas modestas.
Escrevo este capítulo como pai de três filhas adultas. Escrevo como pastor que se preocupa cada vez mais com o desaparecimento da modéstia entre as jovens cristãs atualmente. Escrevo porque a glória de Deus está em jogo na forma como as mulheres se vestem. Escrevo sobre a modéstia porque Deus escreveu sobre isso primeiro na sua Palavra eterna.
Então, vamos levar Deus à Gap.*
Leia a #2ª Parte
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Extraído do capítulo “Deus, Meu Coração e as Roupas” escrito por C. J. Mahaney no livro “Mundanismo, como resistir à sedução de um mundo caído”, © 2010. O livro estará disponível pela Editora Tempo de Colheita em Dezembro. Usado com permissão da Editora Tempo de Colheita, Niterói – RJ. www.tempodecolheita.com.br
Superando as perdas que surgem na família
Até Nas Melhores Famílias
Testemunho da série Até Nas Melhores Famílias, realizada na Igreja Presbiteriana em Alphaville em 2011.
Você está disposto a mudar?
Testemunho da série Até Nas Melhores Famílias, realizada na Igreja Presbiteriana em Alphaville em 2011.
Uma igreja criativa ou evangelização criativa?

Por Marcos Botelho
Você já percebeu que em nome da “evangelização” se pode quase tudo? Comecei reparar isso faz um bom tempo.
Na maioria das igrejas ainda a dança não é bem vinda, não a vemos nos cultos e nem nos ambientes eclesiásticos como festas e confraternização dos crentes. Mas é só marcar um evangelismo em alguma escola, que montam, ou pior, convidam, uma equipe de dança para fazer uma apresentação e chamar a turma para ver que não somos diferentes dos outros a não ser na mensagem.
Fazemos isso também com o teatro, vemos de forma rara teatro na igreja, tirando, é claro, a sala de criança (ai que inveja delas), mas é só marcar um evangelismo em uma praça que ensaiamos uma peça, usamos roupas e até maquiagem para mostrar que a criatividade e a arte podem apontar para Cristo.
E assim várias outras formas de arte e costumes são “justificadas” com a evangelização: Os palhaços com muito humor, música “secular” para falar de um assunto, filmes, contadores de histórias, poemas, sk8, pintura, um grupo tocando tambores, já ouvi até tatuagens sendo justificadas por que uma pessoa viu a cruz e perguntou o que era e o tatuado pode testemunhar de Cristo.
Se a sua igreja não deixa você fazer algo, tente justificar que é pra evangelismo que você vai ver que da certo, quase sempre relevam.
Parece que algumas regras, métodos e formas criadas para a igreja não se aplicam a evangelização, assim cria-se uma “brecha” para poder ter ministérios paralelos à igreja, mesmo sendo, no fundo, da igreja.
Este tipo de regras é incoerente, mas quero dar outro foco agora e não nas regras. Preciso fazer duas ressalvas: 1- Eu discordando da maioria dessas regras de uso e costume e acredito por acreditar que são opiniões de pessoas que estão na liderança. 2-Acredito que se a pessoa decidiu congregar em uma igreja, ela tem que respeitar a liderança local e suas regras.
Quero falar sobre esse Evangelismo Criativo.
Por muito tempo estudei e corri atrás de um evangelismo criativo, pois queríamos atrair o maior número de pessoas possíveis para ouvir o que tínhamos para falar e mostrar que podíamos ser descolados também.
Foi quando percebi que corremos o risco de estar fazendo uma “propaganda enganosa” para os que não conhecem a igreja, pois cara que fosse atraído com aquela apresentação e mensagem, quando chegasse na igreja pensaria: “essa igreja não é a mesma que eu vi lá na minha conversão”.
Mesmo o Cristo sendo o mesmo, aprendemos a ter uma forma para evangelizar e outra como vida em igreja.
Não acredito mais em Evangelismo Criativo, acho que pode ser um tiro no pé, acredito em igreja criativa, que vive as multifaces de Deus em sua vida diária e em seus cultos.
Um lugar em que todos possam demostrar seus dons, um lugar onde a gente é surpreendido a cada momento com o que Deus esta fazendo, um lugar com liberdade para a arte aparecer e apontar para o verdadeiro artista, o Criador.
Dessa forma, não vamos mais precisar de um evangelismo diferente do que vivemos, pois é só mostrarmos quem nós somos diariamente: Filhos à imagem e semelhança do verdadeiro Artista, do Criador.
Países ricos têm maiores índices de depressão, diz pesquisa
Fonte: Folha.com
Um levantamento sobre a depressão em 18 países indica que esse transtorno psiquiátrico é mais comum em nações ricas do que em pobres.
O Brasil, porém, representado no estudo por dados da Grande São Paulo, foi o país em desenvolvimento com mais pessoas afetadas.
A pesquisa, para a qual foram entrevistadas 89 mil pessoas, é resultado de um projeto da divisão de saúde mental da OMS (Organização Mundial da Saúde).
O registro de uma prevalência maior da depressão (14,6%) em países de renda média e alta do que nos de renda baixa (11,1%) não tem uma explicação única, afirmam os cientistas.
“Diferenças em exposição ao estresse, reação ao estresse e em depressão endógena [de origem interna], não relacionada aos fatores ambientais, são possíveis influências”, afirma o estudo, liderado pela psiquiatra Evelyn Bromet, da Universidade de Nova York.
“A desigualdade social, em geral maior nos países de alta renda do que nos de baixa, leva a problemas crônicos que incluem a depressão.”
Talvez não por acaso, o Brasil, onde a desigualdade social é ampla, figura na pesquisa com uma prevalência de 18% desse transtorno psiquiátrico. Entre os países ricos, a exceção foi o Japão, com só 6,6% de deprimidos.
CLASSE SOCIAL
As pessoas mais pobres dos países ricos tiveram mais risco de passar por um episódio de depressão, tendência que não foi observada nas nações mais pobres.
Segundo Bromet, a diferença de 3,5% na incidência média de depressão entre países ricos e pobres pode não estar ligada ao grau de desenvolvimento.
“O que me impressiona mais é que, na maioria dos países, a prevalência em tempo de vida está entre 10% e 20%”, disse a pesquisadora à Folha. “Isso significa que toda a comunidade médica precisa manter vigilância para reconhecer a depressão.”
Um dado foi uniforme entre todos os países: mulheres tinham o dobro de risco de apresentar depressão do que os homens.
A idade do primeiro episódio ficou entre os 20 e 30 anos. Nos países mais pobres, a depressão começa mais cedo do que nos ricos.
DADOS PONTUAIS
No caso do Brasil, um fator que pode ter causado um viés nos dados é que o país foi o único a contar com dados de só um centro urbano.
A China incluiu dados de três cidades, e os outros países trabalharam com amostragens nacionais.
“Essa marca de 18% do Brasil não seria tão alta se o estudo tivesse incluído áreas rurais, já que populações urbanas têm maior associação com o estresse em razão da violência”, afirma Maria Carmen Viana, psiquiatra da USP e uma das autoras do estudo.
Viana conta que buscou financiamento para a pesquisa em órgãos federais e estaduais, mas só conseguiu com a Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo). “Não conseguimos verba para uma amostragem nacional.”
Deus em Questão ! Sigmund Frued x C.S.Lewis
Deus em Questão – Sigmund Frued x C.S.Lewis Documentário [1-4]
Deus em Questão – Sigmund Frued x C.S.Lewis Documentário [2-4]
Deus em Questão – Sigmund Frued x C.S.Lewis Documentário [3-4]
Deus em Questão – Sigmund Frued x C.S.Lewis Documentário [4-4]
Jesus, a alegria dos homens
Um policial recebeu a incumbência de dissuadi-lo do gesto tresloucado. Vagarosamente subiu até onde ele estava e arrastou-se em sua direção. Ainda fora do alcance de seus braços, iniciou o diálogo: “Jovem, a vida é bela, vale a pena viver”. O rapaz continuava resoluto a matar-se. O policial então tentou outra tática: “Eu lhe darei 10 razões pelas quais você não deve suicidar e depois permitirei que você me diga por que deseja morrer”. Minutos depois os dois se jogaram da ponte.
Essa história tragicômica reflete a nossa angústia existencial: queremos ser felizes. Pascal afirmava: “Todos os homens buscam ser felizes, até aqueles que vão enforcar-se”. O desespero de ser feliz é tão grande que estamos nos destruindo. Confesso que minha postura quanto à felicidade era um tanto estóica. Cria que a felicidade deveria ser subpriorizada diante do dever. Eu nunca ouvira falar em hedonismo cristão. Certo dia, ao lado de Russell Shedd numa longa viagem entre Fortaleza e São Paulo, ele me perguntou se eu já lera os escritos de John Pipper, teólogo reformado com doutorado no Wheaton College, no Fuller Seminary e na Universidade de Munique. Segundo Shedd, esse teólogo trabalhava com alguns conceitos interessantes sobre a felicidade e sobre como a mensagem de Cristo continha elementos hedonistas. Interessei-me pelo seu livro Desiring God (Desejando Deus) e de pronto o comprei. Pela enésima vez vi que precisava reelaborar minha teologia.
John Pipper inicia seu livro construindo a filosofia do hedonismo cristão em cinco pressupostos:
1) O desejo de ser feliz é uma experiência humana universal. Esse desejo é bom e não pecaminoso;
2) Nunca devemos negar nem resistir ao nosso desejo de ser felizes. Devemos, pelo contrário, intensificá-lo, buscando aquilo que possa produzir maior satisfação;
3) Só encontramos a felicidade verdadeira e permanente em Deus;
4) A felicidade que encontramos em Deus é plenificada quando compartilhada com outros em amor;
5) À medida que tentamos abandonar nossa busca de prazer e felicidade, desonramos a Deus e fracassamos em amar as pessoas.

Sei que, a esta altura, algum leitor deve estar estranhando que eu, um dos maiores opositores da teologia da prosperidade, esteja defendendo uma teologia aparentemente tão heterodoxa e tão próxima desse cristianismo utilitário que se pratica nos dia de hoje.
Estou consciente de que preciso acalmar alguns preconceitos antes de perder a força da argumentação.
Primeiro, essa teologia não é tão nova como se pensa. Jonathan Edwards, o pregador reformado do início do século XVIII, cria que a razão de nossa existência é glorificar a Deus à medida que nos deliciamos nele. Só glorificamos a Deus se formos realmente felizes.
Segundo, o hedonismo cristão não propõe que Deus seja um meio de alcançarmos prazer mundanos. O prazeres do cristão hedonista emana do próprio Deus. Ele é o fim de toda busca, e não um meio de alcançar outro prazer além dele próprio. Para o cristão hedonista, Deus é o gozo último e incomparável, a alegria infinitamente maior que a de andar em ruas de ouro ou de rever entes queridos. O verdadeiro hedonismo cristão não reduz Deus a uma chave que abre os baús de ouro e de prata. Ele busca transformar o coração para que possamos afirmar: “Para mim mais vale a lei que procede de tua boca, do que milhares de ouro ou de prata” (Sl 119.72).
Terceiro, o hedonismo cristão não é materialista nem mundano. Ele não faz do prazer um deus, mas afirma que nosso Deus estará sempre onde encontrarmos maior prazer. Jeová só será o meu Deus se eu encontrar nele a minha felicidade. O verdadeiro cristianismo não evita o prazer nem o gozo, mas busca-os em uma fonte diferente da do homem secularizado.
O Deus da Bíblia é feliz. Ele se delicia em si mesmo, na sua criação e em seus propósitos. Deus desfruta de infinita felicidade. “O Senhor Deus está no meio de ti, poderoso para salvar-te; Ele se deleitará em ti com alegria; renovar-te-á no seu amor, regozijar-se-á em ti com júbilo” (Sf 3.17). Conforme o livro de Jó, a obra criadora de Deus foi feita com acompanhamento musical. “Onde estavas tu quando eu lançava os fundamentos da terra? (….) quando as estrelas da alva juntas alegremente cantavam e rejubilavam todos os filhos de Deus?” (Jó 38.4 e 7). O Senhor é consciente de seu caráter perfeito e de sua comunhão eterna na trindade. Pai, Filho e Espírito Santo desfrutam de tamanha felicidade, que fomos criados primordialmente para sermos participantes desta alegria. O anelo do salmista soa como mandamento: “Agrada-te do Senhor (….)” (Sl 37.4). O maior dano que o pecado causou não foi jurídico – ter quebrado uma lei escrita -, mas relacional. Ele danificou nossa capacidade de partilhar da felicidade divina. Na relação trinitariana, Deus experimenta uma felicidade suprema, tão perfeita, tão verdadeira, que Jesus clamou na oração sacerdotal: “E agora, glorifica-me, ó Pai, contigo mesmo, com a glória que eu tive junto de ti, antes que houvesse mundo” (Jo 17.5).
Jesus contou uma parábola que expressa bem o espírito do hedonismo cristão: “O reino dos céus é semelhante a um tesouro oculto no campo, o qual certo homem, tendo-o achado, escondeu. E, transbordante de alegria, vai, vende tudo o que tem, e compra aquele campo” (Mt 13.44). Alguém descobre um tesouro e, impelido pela alegria, sai vendendo tudo o que tem para se tornar seu proprietário. A mensagem dessa parábola não nos induz a pensar que o reino de Deus é imobiliário, ela implica um relacionamento com o Rei. O tesouro aqui é intimidade com o Deus trino. “Porque o reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, e paz, e alegria no Espírito Santo” (Rm 14.17).
Millôr Fernandes afirmou sarcasticamente: “Sinto a sensação cada vez mais inconfortável de ser feliz num mundo em que isso está completamente fora de moda”. O mundo busca freneticamente a felicidade, mas acham-se cada vez menos pessoas felizes. Pelo número de antidistônicos vendidos nas farmácias, o que é uma tentativa de baixar o nível de stress e ansiedade da vida, percebe-se que a felicidade não está sendo encontrada. A convivência do dia a dia deixa claro que as igrejas, as universidades e os lares estão cheios de gente infeliz. Por quê? A resposta é simples. Não estamos buscando a felicidade na fonte certa.
Pipper fez uma afirmação ousada em seu livro: “O hedonismo secular busca a felicidade, mas não a busca com todas as forças”. Se o fizesse, satisfaria-se em Deus. Na verdade, essa geração garimpa felicidade em minas inviáveis e encontra cascalho. Cava poços para saciar sua sede e bebe águas podres. No afã de ser feliz, acaba ainda mais infeliz. O Padre Antônio Vieira questionou o porquê dessa irracionalidade: “Ora, veja cada um de nós o preço por que se vende, e daí julgará o que é. Prezais muito, e estimai-vos muito, desvaneceis-vos muito: quereis saber o que sois por vossa mesma avaliação? Vede o preço por que vos dais, vede os vossos pecados. Dai-vos por um respeito, dai-vos por um interesse, dai-vos por um apetite, por um pensamento, por um aceno: muito pouco é o que por tão pouco se dá. Se nos vendemos por tão pouco, como nos prezamos tanto? Filhos de Adão enfim. Quem visse a Adão no Paraíso com tantas presunções de divino, mal cuidaria que em todo o mundo pudesse haver preço por que se houvesse de dar. E que sucedeu? Deu-se ele, e deu a todos os seus filhos por um fruto. Se nos vendemos tão baratos, por que nos avaliamos tão caros?”
Deus estima a felicidade de sua criação ao ponto de dar o seu próprio filho para resgatá-la a si mesmo. As parábolas de Lucas 15 descrevem o drama eterno diante da infelicidade humana. Certo homem possui 100 ovelhas, mas diante do sofrimento de apenas uma, faz tudo para resgatá-la de volta ao aprisco. O júbilo de tê-la de volta é imenso. Uma mulher perde uma moeda, mas não descansa enquanto não a encontra. Quando a tem consigo, chama suas amigas para celebrarem juntas. Jesus culmina contando a parábola de um homem que tem dois filhos, dos quais um o abandona, querendo ser feliz. Nessa busca da felicidade ele acaba miserável, angustiado e nu. Ao voltar para casa, arrependido e disposto a se contentar com a simples companhia do pai, gera grande celebração. Jesus veio ao mundo para nos lembrar que Deus Pai é feliz e articulou um plano eterno para resgatar seus filhos da miséria em que se encontram. Ele estava disposto a pagar qualquer preço, para que fôssemos participantes da glória divina: “(….) Jesus, o qual em troca da alegria que lhe estava proposta, suportou a cruz (….)” (Hb 12.2).
Depois de ler o livro de John Pipper, estou convencido de que todos nasceram para ser felizes. Sobretudo, estou consciente de que as pessoas encontrarão essa felicidade somente em Deus. Sei que fama, fortuna e respeitabilidade humana não produzem a felicidade que completa homens e mulheres. Somente partilhando da felicidade do Deus trino se alcança a autêntica alegria. Jesus prometeu à mulher samaritana: “Quem beber desta água tornará a ter sede; aquele, porém, que beber da água que eu lhe der, nunca mais terá sede, para sempre; pelo contrário, a água que eu lhe der será nele uma fonte a jorrar para a vida eterna” (Jo 4.13-14).
Como aquela mulher, devemos pedir: “Senhor, dá-me dessa água”.
Pastor Ricardo Gondim








